Dicas e inspirações para viajar sozinha/o (aka: #viajosozinha se eu quiser, sim!)

Hoje, em meio a procrastinações na internet, num dia de gripe de gripe daquelas que derrubam a gente, me deparei com a seguinte reportagem da BBC:

#ViajoSozinha: Como a morte de duas turistas argentinas levou a debate sobre assédio

Pra quem não está com paciência para ler esse texto aqui e mais o da BBC, vou dar aquela resumida amiga. Duas jovens argentinas de vinte e pouquinhos anos saíram para fazer um mochilão pela América Latina e foram assassinadas no Equador. Além da fatalidade e do crime por si só, surgiram MUITOS comentários condenando a atitude delas de viajarem sozinhas sendo mulheres, e presumindo que elas, certamente, teriam tido alguma atitude que levou às suas mortes (Sim, o ‘que roupa estavam usando?’, ‘eram muito de ir em festa?’, ‘como assim estavam sozinhas?’ que a gente já está cansada de ouvir. E sim, pessoas – se é que podemos chamar assim – ainda culpam vítimas de assédio, estupro e/ou assassinato pelo próprio assédio, estupro e/ou assassinato que sofrem).

Isso, obviamente (e graças ao bom Deus) levantou um debate sobre ‘até quando vão culpar as mulheres pelo assédio e violência que sofrem?’ e ‘é seguro para uma mulher viajar sozinha?’. Eu não vou ficar aqui debatendo a primeira parte porque, quem me conhece, sabe muito bem o que eu penso, e esse é um assunto que me revolta num nível, que eu sou capaz de escrever um livro só com palavras de baixo calão que, para mim, descrevem muito bem quem tem pensamentos tão machistas como esses.

Assim sendo, e considerando que o foco desse blog agora é viagens, vamos falar sobre viajar sozinha. Eu, Luiza, nunca caí no mundo para uma solo trip (ainda), mas também não deixaria de viajar pelo fato de “ter que” ir sozinha. Vamos lá, o que te levaria a viajar sozinha? Provavelmente, um dos itens abaixo:

  • Ninguém quer ir pro mesmo lugar/na mesma data que você. (Nesse caso, você perderia a oportunidade de conhecer determinado lugar porque ninguém quer/pode ir com você?)
  • Sua companhia desistiu na última hora. (As reservas estão todas feitas e você está no ápice da expectativa. Sua companhia miou. Vai desistir também?)
  • Você não quer companhia. (‘To afim de pensar na vida, espairecer, refletir um pouco, e preciso fazer isso sozinha e longe de casa’. Bom. Nesse caso, se levar alguém junto, não vai rolar nada disso, certo?)

A questão é: viajar sozinha/o é um tema que está muito em alta atualmente. Há não muitos anos atrás, as pessoas nem viajavam tanto, muito menos sozinhas. Hoje em dia é muito mais fácil viajar, mais acessível. Não é mais um privilégio de gente rica ou muito influente. Mas, ainda assim, quando se fala em viajar sozinho/a, muita gente se surpreende (ou até tem pena/dó do “coitado/a, tão solitário/a” – acreditem, eu moro sozinha no Chile e toda vez que conheço alguém – principalmente mulheres mais velhas – e elas sabem disso, me olham e dizem “tadiiinhaaa”, e eu só respondo com um sorridente “Tadinha por que?”). Miiiiinha geeente, vamos pensar um pouquinho:

  1. Não é porque VOCÊ se sentiria solitário e/ou triste numa solo trip, que todo o resto da humanidade pensa o mesmo;
  2. Não necessariamente aquela pessoa está viajando sozinha porque não tem companhia (leu os 3 itens lá em cima? Então…)

Agora, além disso, rola o “meu Deus!! Que perigo! Você é LOUCO/A!”, principalmente quando se trata de mulheres viajando sozinhas. Como eu já disse, não sou experiente no tema, mas ando planejando algumas viagens (que ainda não sei se vão ou não ser solo) e lendo muito sobre o tema. Assim, separei pra vocês alguns textos de mulheres inspiradoras que viajam e/ou viajaram bastante sozinhas. Vamos lá?

360meridianos

Não é segredo pra ninguém que o 360meridianos é um dos meus blogs de viagem preferidos (senão O preferido). A Luiza (minha chará, essa da foto) escreveu já há algum tempo seu manifesto em favor de mulheres viajarem sozinhas (como ela mesma chamou) e, recentemente, publicou 7 relatos de mulheres que vão te inspirar a viajar sozinha. Mulheres reais, leitoras do blog, que deram seus depoimentos. Como o próprio nome já diz, é inspirador!

dicasdemulher

No site Dicas de Mulher, você encontra 20 dicas e motivos para viajar sozinha. Não é obrigatório concordar e/ou seguir absolutamente tudo. Mas super válido como uma dose de ânimo e inspiração.

Finestrino

Esse post aqui da Mari, do Finestrino, fala de uma maneira sincera e bem humorada sobre algumas vantagens e desvantagens de se viajar sozinha (incluindo a dificuldade na hora de tirar fotos haha).

Amanda Viaja

Já falei aqui do blog da Amanda, o Amanda Viaja, mas ela também tem uma coluna no Estadão. Em um dos seus posts por lá, falou um pouco sobre os medos que temos aos pensar em viajar sozinho, e também como enfrentá-los. Segundo ela, ‘se der medo, vá com medo mesmo‘. No blog dela também tem uma tag sobre viajar sozinho. Clica aí e dá uma olhada, porque todos os posts são ótimos!

Agora que você tem bastante conteúdo em que mergulhar, não vou ficar de blá-blá-blá, mas vou deixar a minha opinião. Viajar sozinho é perigoso? Querido/a, a vida é perigosa por si só. Sozinhos ou acompanhados, corremos riscos o tempo todo. Quando se trata de mulheres sozinhas, é claro que parecemos mais vulneráveis e temos, sim, que ter ainda mais cuidado. Mas não deixe isso te impedir de realizar o sonho de conhecer algum lugar. Pesquise bastante antes, esteja sempre atento/a e evite situações que seu instinto disser “eita, melhor não que vai dar ruim!”, ok? Manda bala que vai dar tudo certo! haha

Beijos e boa viagem!

Obs: Em breve teremos esse post em inglês e espanhol. Lá os links serão outros (nos seus respectivos idiomas), então aproveita e dá uma olhada também!

Frutillar: Teatro del Lago e Museo Colonial Alemán

Chegamos ao meu quinto e último dia de viagem pela Região dos Lagos, no sul do Chile. É, eu sei, pra mim também passou super rápido. E sim, foram só cinco dias e eu consegui fazer coisa pra caramba! Claro que, se eu consegui compactar tanta coisa nos quatro primeiros dias, o quinto não poderia ser muito diferente. De tudo que a gente já tinha visto, ainda me faltava a cidade de Frutillar e, como sabíamos que a cidade era minúscula pequenininha, decidimos visitá-la no domingo durante o dia, antes de pegar nosso ônibus de volta a Santiago.

O transporte foi no mesmo esquema da ida a Puerto Montt: ônibus de linha por cerca de $ 1000 pesos.

frutillar chile

Bom, Frutillar é fofinha. MUITO fofinha hahaha. ‘Mas, Luiza, o que seria uma cidade fofinha?’. Ah, pequenininha, sabe, casinhas estilo alemão, lago, vulcão ao fundo, tudo decorado, tudo limpo, tudo meio coloridinho…tudo fofinho! hahaha.

Falando sério agora, vai. Frutillar tem duas ‘atrações’ mais importantes a serem visitadas e a principal delas é, sem dúvidas, o Teatro del Lago.

teatro del lago frutillar chile
Teatro del Lago

Mais uma vez, eu e o meu irmão, cabeçudos que somos, não pesquisamos nada direito antes e, bom, chegamos no teatro 15 minutos depois de ter saído o passeio guiado. ‘Ah, mas você não precisa de guia…é um TEATRO”. Não, você não precisaria, se não fosse proibido entrar sem guia nos horários de não-espetáculos. Ponto pra mim.

O teatro é muito conhecido por ter uma das melhores acústicas do mundo, uma vez que foi construído para receber concertos de orquestras sinfônicas e óperas. Claro, a maioria de nós, turistas, quer ver simplesmente porque é lindo. Como o próprio nome já diz, ele fica dentro do lago Llanquihue, com direito a vista privilegiada do vulcão Osorno. Não dá pra reclamar, né? Entre no site oficial do teatro pra acompanhar a programação de apresentações e horários dos passeios guiados. Aprenda com meu erro, por favor!

A ‘outra’ atração que eu queria visitar era o Museo Colonial Alemán.

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Mais uma vez, nome auto explicativo. Esse museu representa as antigas fazendas alemãs que a região abrigava na época da colonização. O fato levemente desanimador desse museu é que ele é fake. Não, não é uma fazenda original. Ele foi construído para ser um museu, porém, cada detalhe foi muito bem estudado e analisado de modo que o resultado fosse o mais real possível. Fake ou não, o museu é incrível (as fotos não me deixam mentir). A entrada custa cerca de $ 3000 pesos por pessoa, o que é relativamente ok. Lá dentro há quatro construções principais: La casa del herrero, casona de campo, molino de agua e campanario.

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Casona de campo

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Por dentro da casona – cada construção é mobiliada de acordo com o que se encontrava na época da colonização

Por dentro, além dos móveis e decoração apropriados, há sons ambientes de relógios, caixinhas de música, o que deixa a coisa, além de mais ‘real’, um tanto macabra haha.

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As áreas externas também fazem parte do museu, então há de tudo ‘exposto’. Até uma réplica dos túmulos que se construía na época, uma vez que as pessoas que morriam nas fazendas eram enterradas ali mesmo.

 

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Molino de agua

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Sim, agora entramos na sessão “fotos pra deixar os leitores com vontade de conhecer o lugar”. De nada.

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Campanario
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Casa del herrero (ou do ferreiro) por dentro

Nesta página da cidade você encontra mais informações sobre o museu e o teatro, inclusive localização e horários de funcionamento em diferentes épocas do ano.

Frutillar tem um posto de informações ao turista que fica relativamente perto do teatro. Lá eles podem te fornecer mapas e indicações de passeios a fazer (inclusive alguns panfletos em português).

A cidade tem basicamente duas ruas, então é impossível se perder e fácil de achar lugares para comer. Só deixo de aviso que é tudo um pouco caro, e você só acha uns preços mais amigos na ‘rua de trás’ (chegando lá vocês vão entender e lembrar de mim, ok?). Como eu já estava verde de fome, acabamos pagando cerca de 60 reais por uma pizza não muito grande num restaurante italiano no teatro do lago. Só que assim, gente, almoçamos quase dentro do lago e olhando o vulcão, então né…não vou reclamar do preço. E, claro, estava uma delícia.

Mais uma vez, planejem suas viagens melhor do que eu haha. Ou não planejem. Nós quebramos a cara em algumas coisas, mas também foi ótimo ficar inventando os passeios na hora. Acho que as duas alternativas merecem um teste, além de ser bom variar o jeito de viajar, pelo menos de vez em quando. Podem deixar que essa viagem me ensinou muito sobre como me preparar para escrever sobre ela depois. Cometi muitos erros, mas garanto que estou trabalhando para que esse blog seja o melhor possível tanto para mim quanto para vocês que leem (obrigada, aliás!).

Como eu disse no último post, não deixem de comentar o que acharam, seja do lugar ou do texto em si. Vocês me ajudam muito a polir meu próprio trabalho.

Beijos! E até a próxima viagem!

Psiu! Não esquece dos posts anteriores! Ainda mais agora que nossa jornada está completa! 😉